sexta-feira, 22 de julho de 2011
O anjo das rosas
Quando foi diagnosticado um câncer em minha filha de 14 anos, não sabia o que fazer. Fiquei desesperado, há um ano sua mãe havia morrido acometida do mesmo mal, porém alguém precisava consolá-la e essa era minha responsabilidade, devendo, portanto, manter a cabeça no lugar. Coloquei-me no lugar da minha falecida esposa, “o que ela faria?... Procuraria um médico?” – não sei, mas foi o que fiz, procurei o melhor.
Juntei todo o dinheiro que tinha para poder internar minha filha, Carolina, e realizar o tratamento da doença. Em pouco tempo, ela já estava se submetendo à quimioterapia (a pior parte), tive de passar ao lado dela tudo o que tinha sofrido com a mãe, temendo que tivesse o mesmo fim. Foi quando conheci a melhor enfermeira daquele lugar. Uma senhora de uns 40 anos, quatro a mais que eu, mas o que mais me encantou foi seu doce olhar.
Todo dia em que estivesse no hospital, aquela enfermeira deixava no quarto dos pacientes uma rosa branca, quando estavam piores, ou uma vermelha quando estavam bem, só não sabia como ela se informava desse estado psicológico, já que escolhia a flor antes de estabelecer contato com os enfermos.
Vinte dias após o começo do tratamento da minha filha, sua companheira de quarto morreu e, em seu jarro, não havia rosa alguma, como também vazio estava o de Carolina, pois a enfermeira, Rosa, não estava de plantão.
Carol teve uma recaída, temendo que o mesmo lhe acontecesse, devido ao jarro vazio. Tentava consolá-la dizendo que não a deixaria, ela retrucou perguntando se eu faria isso do mesmo modo como fiz com a mãe dela. Respondi que se fosse possível daria minha vida no lugar de qualquer uma das duas.
Saí do quarto após uma discussão com Carolina, sentei-me no banco em frente e não contive o pranto. Vi Rosa chegar, imaginei que entraria no quarto, porque tinha uma rosa na mão (branca), pelo contrário, sentou-se ao meu lado e me entregou a flor, sorri e lhe agradeci o gesto.
No dia seguinte, internou-se no lugar da garota que morreu, uma senhora, Virgília, de 80 anos. Essa senhora me chamou muita atenção, pois só recebia flores rosas, e também porque ao contrário de todos guardava suas rosas mesmo depois de murchas. Porém, não questionei uma única vez.
Dentro de dois meses minha filha se curou, durante esse tempo Rosa nunca mais deixou de pegar um plantão, por maior que fosse o motivo. Um mês depois fiquei sabendo que também dona Virgínia havia se recuperado, no entanto, dois anos mais tarde a notícia foi das piores, Rosa morrera. Resolvi ir ao cemitério prestar-lhe uma homenagem e ao mesmo tempo agradecer, de alguma forma imaginei que escutaria. Chegando lá, ao longe, vi, no túmulo da enfermeira, Virgínia depositando um buquê de rosas murchas.
Aproximei-me, a senhora me sorriu e saiu, acompanhei-a com a vista e ao voltar meu olhar, vi no jazigo de Rosa um buquê de rosas vermelhas.
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