quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sua voz




Na primeira vez em que você esteve longe, eu sabia que só precisava fechar os olhos e concentra-me um pouco no silêncio para poder ouvir sua voz. Depois disso, continuou assim: por mais que ela voltasse diferente, com novos tons, ritmos, sotaques e manias, eu ouvia claramente a mesma voz doce que vinha de você e que eu amava.

Nem lembro mais se eu tinha me apaixonado por você ou pelo som de sua voz! Contudo, sei que, quando havia essa união, te via possuída de tanta beleza que nunca dei importância para o motivo de tanto amor.

Enquanto eu trabalhava, permanecia calado, torcendo pela lembrança de sua voz – e era tão bom quando não era só lembrança e de companhia eu recebia sua presença! É, não vou mentir – eu sonhava acordado, sim. Mas também, mal dormia, pois deitado ao seu lado, te via dormindo, te ouvia sonhando – e como eu admirava sua voz quando estava sussurrando!

No entanto, com o tempo sua voz ficou distante, às vezes passeava tão áspera pelos meus ouvidos que eu preferia nem tê-la escutado. Assim, os sussurros viraram gritos descontrolados e o melhor a fazer era ouvi-los em silêncio. Sua voz não era a mesma, mas ainda era a sua voz!

Ao nos separamos tentei manter sua voz em minha cabeça, entretanto, a distância a que nos impusemos a fazia tão estranha, tão eletrônica pelos telefonemas que insistíamos fazer – embora ela já se fizesse mais amena. Depois de anos, sua voz voltou a ser veludosa, sua e sensual, mas era só sua voz – faltava você! O som que eu tinha na memória era capaz de reconstruir sua imagem – os invernos, porém, levaram isso assim que foi possível. Quando ouvi sua voz pela última vez, ela soava calma e límpida como era natural – até parecia que nada era capaz de abalá-la.

Acordei hoje e percebi que não era mais capaz de ouvir o som que você emitia ao pronunciar meu nome, do ritmo, do tom... esqueci de como era a sua voz. Há muito você partiu, comecei a imaginar que me perderia na solidão – no silêncio. Seria impossível seguir em frente sem você, mas eu estava errado, nunca me perdi, ou me perderei, perdi apenas, definitivamente, você!

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