sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Priscila
Ontem peguei uma fotografia antiga. Não sei dizer precisamente a data, só lembro que era uma recordação da minha infância – não posso afirmar, sozinho, se foi algo bom ou ruim o que senti naquele momento, porém foi estranho.
A imagem na foto era a de uma bela garotinha de olhos azuis, com seus cinco ou seis anos. Adornada com um vestido branco se tornara ainda mais doce – parecia um verdadeiro anjo. Aquela era Priscila. Fomos vizinhos na época em que o retrato foi tirado, creio até que o cenário tenha sido minha casa. Era uma amiga cujos planos era ser mais, no entanto o que ela chamava de planos eu chamava de sonhos.
É claro que não éramos mais do que duas inocentes crianças. E com o tempo, unido à distância que nos seria imposta, dificilmente lembraríamos dos planos – ou sonhos – e seguiríamos nossas vidas da maneira que o destino desejasse. Porém quando algo passa pelo coração, é digno de guardar na memória, digno de recordação! E por mais que fique no fundo do baú, uma hora o pensamento de dias passados virá à tona. Se trará lágrimas ou sorrisos somente o destino pode dizer...
A nostalgia na foto fez-me lembrar mais do que somente da Priscila, pensei em outros amores que deixei escapar com o vento, mas ela era especial – o primeiro amor. A imagem daquela garotinha trouxe-me um imenso desejo de cair em prantos, contudo a memória de nosso amor não me permitia tal profanação.
Segurei as lágrimas. Pensei na doce Priscila e no meu egoísmo em querer sofrer quando ela já não mais o podia; na minha arrogância em abrir minha alma em um choro, quando ela já não tinha lágrimas.
Aquela foto é uma das últimas que ainda resta da menina que amei na infância, foi tirada poucos anos antes de sua morte, numa época em que já nem nos víamos... dizem que ela morreu sorrindo.
Acho que foi do coração – pra ela era difícil amar!
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