quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A dama das urtigas


A história que aqui relato não é a de um homem apaixonado, mas revoltado, e também não se passa na famosa Paris do século XIX, embora seja possível que haja o mesmo número de pessoas devassas lá e cá! Fora isso, a semelhança entre a minha história de "amor" com uma prostituta e o romance de outro tolo com uma dama da vida, resume-se à sonoridade dos nomes: Marguerite (a francesa) e Margarida, a minha conterrânea.

Minha Margarida - aliás, minha não! Não consigo nem expressar claramente o ódio que sinto por ela! Portanto, em termos mais claros - Margarida de todos era, talvez, tão feia quanto Macabéa, mas não tão simples, sua genialidade se equiparava à de Sherazade, ou a de Lady Macbeth. Pois bem, vou logo à história antes que me perca nesse emaranhado de personagens: a moça era a com o preço mais acessível quando fui visitar a famosa rua onde ela trabalhava, e tornou-se minha escolhida por conta da falta de dinheiro que acometia o meu pobre bolso.

Foi uma noite inesquecível, pelo menos o suficiente para que eu voltasse ao lugar na semana seguinte, afinal eu era jovem e precisava de um meio para me distrair. Notei que a rua não estava tão movimentada na data, então, ao escolher meu produto, não pude deixar de perguntar o motivo daquilo. Foi quando tive uma péssima resposta:

- As moça daqui são muito solidária, e onti morreu uma colega nossa. A maioria de nóis tá velando a falecida. As pouca que tá aqui é só pra cumpri horário! A gente gostava demais dela, tamo tudo de luto!

- E qual o nome da sua amiga?

- Margarida. Precisava vê como ela era bunitinha, mas tava barata... por causa da doença, né!?

- Você tá brincando, né?!

- Moça, com essas coisa num se brinca, não! Eu faço outros tipos de brincadeira, depende só do dinheiro, se quiser...

A garota deu um novo preço, não sei se pela brincadeira ou pela informação - Margarida morrera de Aids. Aquela ... Até hoje não entendo o motivo de não usado camisinha justo no dia que a conheci! - Acho que estava pensando só no valor barato de algo tão bom!

É... nem tudo é um mar de rosas! E para me lembrar disso, no dia seguinte fui ao cemitério, pois queria visitar o túmulo da nova moradora e, claro, levei comigo um buquê para oferecer a ela, não de rosas, mas de urtigas.

Hoje, passados alguns anos, resolvi deixar essa memória para que nunca esqueçam: seja no Moulin Rouge ou na esquina de boteco, sempre haverá uma bela mulher para destruir nossas vidas, afinal, "o inferno são os outros!"

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